Nunca houve tanto sentido falar em margens, em um sistema cada vez mais falido e pretensiosamente dividido entre esquerda e direita. Inseridos neste contexto, um conjunto de retratos fotográficos de autoria do coletivo Trëma apresenta um exército improvisado, formado em 2011, para defender a ocupação de terra conhecida por Pinheirinho, no interior de São Paulo. Pessoas comuns que ao se armarem se transformam em uma tropa sem heróis, enfrentam forças externas e lutam pelo pouco que possuem.

Ao reunir estes combatentes alguns anos após o episódio para fotografá-los, o coletivo resgata acima de tudo memórias visuais. Ao reconstruirem suas armaduras e vestes, e serem fotografados em um fundo infinito, refaz-se de certo modo a estética da Antiguidade, e antecipa visualmente o que foi visto nos manifestantes na Ucrânia em 2013. No limite entre passado e futuro, coragem e fragilidade, e entre potência e improviso se situa esse exército de homens comuns.

Se a memória para o ser humano é o alimento da alma, conforme afirmou Umberto Eco em uma de suas últimas conversas em vídeo; para este grupo vai além dos problemas da alma, está em causa nesta série fotográfica a relação entre memória coletiva e identidade.

Pretende-se nesta comunicação pensar o papel da fotografia como um lugar de convergência entre memória e identidade deste grupo a margem da sociedade e da história.

Link para as imagens: http://www.trema.co/projeto.php?id=1

Guilherme Tosetto: Doutorando em Belas-Artes (Multimédia) na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Mestre em Multimeios pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Especialista em Fotografia pela Universidade de Londrina (UEL) e Bacharel em Comunicação Social pela Universidade de Londrina (UEL).