Com o presente artigo pretende-se analisar as imagens fotográficas que, nos últimos nove anos, apresentaram e repensaram o território português. Escolheu-se deliberadamente duas delimitações para a referida análise: a linguística e a temporária. Do ponto de vista semântico, referir o conceito de território na imagem fotográfica permite incluir o género artístico da paisagem, uma vez que o foco incide sobre o territorium – raíz latina do termo território -, palavra que deriva de territor e que significa “quem possui a terra”.
O território português, aliás o que atualmente pertence à nação portuguesa, irá encontrar neste ensaio uma redefinição concordante com a segunda delimitação, a temporária: ou seja, as imagens produzidas nos últimos nove anos. O que surge destas fotografias é um olhar crítico e analítico sobre o território português, uma vez que estas imagens desvendam um país envolvido pela crise económica, por uma atmosfera e um sentimento de abandono e por incontestáveis dificuldades socioculturais. O período histórico atual, no qual o país se encontra, é definido pelo artista Luís Palma como a fase final do “universo situado entre o fim de uma «guerra colonial» e uma Europa sem fronteiras”. Isto é, o universo português revela-se especialmente através das dificuldades políticas e económicas que o atingiram nos últimos anos: a crise internacional de 2008 e as consequentes repercussões na economia portuguesa, as incursões da política europeia, a Troika em 2011, etc.
Longe de criar uma estrutura fechada e setorial meramente topográfica, a presente análise focalizar-se-á em vertentes ora artísticas ora comunicativas da fotografia, ou seja, fundamentada  em autores que através da imagem fotográfica trabalharam neste período sobre o território português e que sublinharam as suas peculiaridades. Com efeito, foram numerosos os eventos que se propuseram investigar e redefinir este tipo de reflexão e de conexão sobre o território nacional. Entre os principais podem ser citados: a publicação do livro Portugal Património de Duarte Belo em 2007-2008, as exibições sobre o território de Edgar Martins e Luís Palma em 2008, O Encontro de Imagem dedicado à paisagem de 2010, o projeto 12.12.12 de 2012, a exposição Missão Fotográfica: Paisagem Transgénica de 2012, o Projecto Troika de 2013-2014 e a exposição Os Inquéritos [à Fotografia e ao Território] ∙ Paisagem e povoamento de 2015-2016. Se, de facto, cada autor conseguiu determinar e manter a sua própria visão do território português, no entanto todos os trabalhos partilham aspetos próximos de crítica sociocultural. Dentre estas numerosas experiências destacam-se principalmente doze autores: Duarte Belo, Edgar Martins, Emanuel Brás, José Carlos Carvalho, Lara Jacinto, Luís Palma, Pedro Campos Costa e Nuno Louro, Ricardo Meireles, Tito Mouraz, Vasco Célio e Valter Vinagre.
Será, portanto, através de uma análise comparada entre as investigações fotográficas sobre o território e o contexto político, económico e social do país que se definirá a relação intrínseca entre estes dois aspetos, sublinhando-se também como a fotografia emerge enquanto fator crítico da situação atual de Portugal.

Filippo De Tomasi was born in 1987 in Vicenza, Italy. He currently lives and works in Lisbon, Portugal. He has been attending PhD program in Artistic Studies at FCSH-NOVA University of Lisbon since 2015. He has graduated in Visual Arts in 2014, with specialization in contemporary art history and photographic theory and practice, at Alma Mater Studiorum – Bologna University. He received a scholarship to write his master thesis in Lisbon in 2013-2014. In the past, he collaborated in the production of artistic projects at the Galeria Luís Serpa Projectos. Currently, he works as curator in independent projects. He has published some articles in contemporary art magazines, for example Artribune and Senza Cornice. He also participated in international conferences, like Congresso Internacional VOX MUSEI arte e património in 2013.
Among his principal interests of research there are photographic theory and practice in Iberian production and the analysis of trade and market of contemporary art.